Reportagem: Dihelson Mendonça
Foto: Wilson Bernardo
Reportagem: Dihelson Mendonça
Foto: Wilson Bernardo
Conversando com o Prefeito
Alguns pontos Altos da entrevista:
“O “Atacadão ( Carrefour )” não viria para o Crato só porque seria amigo do prefeito ou porque o prefeito iria pedir não…Esse é o mercado mesmo quem regulamenta tudo isso. Agora nós queremos é dar qualidade de vida aos moradores do Crato. E essa geração de empregos com mais de 300 micro e pequenas empresas que se instalaram no Crato.”
“Professor Dihelson Mendonça, nós precisamos compreender que desenvolvimento não significa crescimento desordenado. Muito pelo contrário! O desenvolvimento de uma cidade se dá com a qualidade de vida dos munícipes. Não adianta uma cidade com 2 milhões de habitantes com trânsito caótico, com o comércio desordenado, educação deficiente, saúde idem, então essas coisas de ficar falando de Juazeiro e de Barbalha…eu sou o maior defensor da união e da integração do cariri, e não é somente Crato, Juazeiro e Barbalha não!”
“A maior fonte de riqueza da Espanha é o Turismo. E eu dizia antigamente que o turismo do Cariri só avançaria muito a partir da infra-estrutura.”
D.M – Dr. Samuel Araripe, é verdade que estamos pleiteando a construção de uma pequena cidade universitária no local aonde será construído o Centro de onvenções, até porque se aglutinariam as universidades: A Universidade Católica, o Campus avançado da UFC – Universidade Federal do Ceará, com ciências agrárias, e também poderiam ser remanejados alguns setores da Urca – Universidade Regional do Cariri, formando um complexo educacional para a cidade do Crato e ( claro ), dentro de terras Cratenses ?D.M – Uma verdadeira mini-cidade universitária aqui no Crato…
S.A – Uma verdadeira mini-cidade. O Crescimento do Crato naquele rumo vai ser uma coisa extraordinária, porque nesse exato momento estamos discutindo a revisão do plano diretor da nossa cidade, onde se define as áreas de residências, de indústrias, de ampliação da nossa cidade, e todo o plano tem sido discutido e elaborado no sentido de induzir o crescimento do Crato no rumo de Barbalha e de Juazeiro. O pé-de-serra aqui, vamos limitar o sopé da serra do Araripe, preservar o meio ambiente, que já foi deveras agredido no decorrer de anos por desmatamentos e construções inadequadas. Então eu quero firmar o plano diretor, nós vamos transformar em lei e o crescimento do Crato vai ser para aquela região ( Juazeiro e Barbalha ), até mesmo porque a infra-estrutura ali é muito boa. Já tem passando ali no Muriti o Metrô de Superfície, que liga o Crato a Juazeiro, existe um projeto em discussão de uma grande avenida nascendo ao lado Centro de Convenções e indo até a via que dá acesso de Juazeiro à Barbalha. O Governo do estado me disse que vai incrementar a infra-estrutura do parque industrial que fica na divisa dos 3 municípios. Ali fica localizado o maior aquífero da nossa cidade, então a perspectiva de crescimento do Crato para aquela região é muito grande e as universidades irão captar e fomentar todo esse crescimento.
S.A - Professor Dihelson Mendonça, nós precisamos compreender que desenvolvimento não significa crescimento desordenado. Muito pelo contrário! O desenvolvimento de uma cidade se dá com a qualidade de vida dos munícipes. Não adianta uma cidade com 2 milhões de habitantes com trânsito caótico, com o comércio desordenado, educação deficiente, saúde idem, então essas coisas de ficar falando de Juazeiro e de Barbalha…eu sou o maior defensor da união e da interação entre o cariri, não é somente Crato, Juazeiro e Barbalha não! Eu defendo um consórcio para o aterro sanitário para o Cariri, Hospital regional para o Cariri, Instituto médico legal para o cariri, CEASA para o Cariri, Centro de Convenções para o Cariri, Frigorífico ( abatedouro ) para o Cariri, porque ? Porque isso vai trazer economia para os municípios; Você imagine, Crato construindo um aterro sanitário, Juazeiro outro, Barbalha outro, Missão Velha outro…por quanto não sairia um negócio desses ? Você já pensou o Crato construindo o seu abatedouro, Juazeiro, Barbalha…Depois da zona metropolitana de Fortaleza, o maior aglomerado urbano que existe é o do Cariri, e nós pecisamos saber organizar esse crescimento. Então, quando o Hospital ( Regional do Cariri ), fica a 6 kilômetros da divisa do Crato, qual é o problema que existe de estar se questionando, quer dizer é impossível ao Governo do Estado construir um hospital ( Regional ) no Crato, outro em Juazeiro e outro em barbalha. E a manutenção depois, como é que fica ? Nós precisamos ser Racionais, o momento é de dificuldade em todo canto, essa crise é latente, ela é permanente, já chegou ao Brasil, já chegou ao ceará e já chegou ao Crajubar também. Então nós precisamos olhar essa região como um todo. Não podemos dividir. Precisamos é ver a vocação de crescimento do Crato, Juazeiro e Barbalha, e do cariri como um todo. Então é assim que a gente tem que ver, e vamos nos estruturar. Passamos por um excelente momento ( da história ), problemas estruturantes que muita gente não acreditava, quem poderia imaginar hoje o cariri sendo ligado através do aeroporto com Rio, Sao Paulo, Brasília, Fortaleza, Recife. temos vôs diários hoje, duas companhias aéreas grandes operando no cariri. Então, a perspectiva de crescimento é imensa, e por conta disso é que nós não podemos mais enxergar uma cidade isolada da outra. Tem gente que mora no Crato que trabalha no Juazeiro, tem gente que mora no Juazeiro e trabalha no Crato e em Barbalha. Então, vamos pensar grande que o momento é para crescimento mesmo, com qualidade.
S.A – O Crescimento de Juazeiro eu vejo com a maior naturalidade, e não depende mais nem de governo municipal. Juazeiro cresce com as próprias pernas, por conta das pesquisas de mercado. Isso é uma coisa natural, não tem como evitar. É uma cidade âncora. Quantas cidades começaram sendo a capital e depois se transformam a uma segunda, a exemplo de Olinda, que passou pra Recife, Aquiraz que passou pra Fortaleza, Juazeiro, que era distrito do Crato, por conta do crescimento natural mesmo, isso é uma coisa natural, agora nós precisamos é saber conviver com isso. Aquilo que for do Crato, a qualidade de morada do Crato, por exemplo, não se compara. Quantas pessoas moram no Crato e trabalham lá no Juazeiro, né ? então a gente precisa ir organizando nossa cidade, agora, estou muito feliz porque nós vamos sanear a nossa cidade. 3 cidades, das 184 conseguiram o plano de saneamento ambiental bancado 100 por cento pela fundação nacional de Saúde. Isso é qualidade de vida! Você chega nos países desenvolvidos, as cidades, a população gravita em torno de 100 ou 110 mil habitantes. Vai ter metrô do Crato para Juazeiro, e olha, eu vejo a economia do Crato aquecidíssima: Mais de 300 micro e pequenas empresas se instalaram no Crato nesses últimos 4 anos. Agora o “Atacadão” porque tem muita gente falando “O Atacadão” para Juazeiro, Juazeiro… Aquilo ali é pesquisa de mercado, e tem que ir para a maior cidade. O “Atacadão” não viria para o Crato só porque seria amigo do prefeito ou porque o prefeito ia pedir não…Esse é o Mercado mesmo quem regulamenta tudo isso. Agora nós queremos é dar qualidade de vida aos moradores do Crato. E essa geração de empregos com mais de 300 micro e pequenas empresas se instalaram no Crato. A vocação do Crato: Agricultura familiar , porque ? porque o Crato é um município eminentemente rural, tem 9 distritos, então vamos atrás da agricultura familiar. Juazeiro já não pode ir atrás, porque o Juazeiro vive da sede. Só tem 1 distrito.
D.M – Nossa vocação também é turística…
S.A – Exatamente. E o turismo ecológico aqui no Crato é muito forte e é uma indústria. A maior fonte de riqueza da Espanha é o Turismo. E eu dizia antigamente que o turismo do Cariri só avançaria muito a partir da infra-estrutura. E a Infra-estrutura começa pelo Aeroporto. Há 5 anos atrás, nós tínhamos aqui um vôo da “TAF” com 12 lugares, passagens de 400 reais um trecho. Como é que o turista viria pra cá ? Normalmente o turista é o casal e 1 ou 2 filhos. Como é que viria fazer turismo no Cariri se a passagem era mais cara do que pra Brasíia, Rio de Janeiro, e etc. Agora já resolvemos esse problema. Outra vocação nossa aqui é educação. E é por isso que eu sonho com aquele complexo educacional ali, que vai ser uma coisa que vai dar um impulso imenso à nossa cidade, em terras cratenses. Então é isso aí, Doutor, vamos nos preocupar com o “Cratinho de Açúcar”, que vai bem, outro sinal de economia aquecida: Recentemente, Banco Itaú. Tenha a certeza que banco nenhum vai para cidade nenhuma se a economia não estiver aquecida. Agora alguns pessimistas ficam aí conversando…ê o Crato, não sei o que…Atacadão para Juazeiro…Isso não adianta perder tempo conversando porque o Mercado é que define. Como Juazeiro tem 250 mil habitantes e o Crato tem 110 mil, é claro que…e ainda tem mais, ficou ali no limite, na divisa, beneficiaria as 2 cidades, e é assim que nós queremos mesmo. A CEASA que vai ficar em Barbalha. Aqui, porque que nós já estamos projetando essa avenida partindo ali do Centro de Convenções, porque a CEASA vai ficar a 5 Km daqui do Crato. Então eu diria que a coisa mais forte que existe no momento é exatamente a união do Cariri. Hoje aqui no nosso Gabinete, 10 prefeitos ( do Cariri ) discutindo o Aterro Sanitário, então é a união buscando empreendimentos para o conjunto.
Reportagem: Dihelson Mendonça
Foto: Wilson Bernardo
O.B.S – Para não ouvir 2 sons ao mesmo tempo, favor pausar o player da Rádio Chapada do Araripe na entrada do Blog primeiro.
Em entrevista concedida ao Blog do Crato nesta tarde de Quarta-Feira, a Secretária de Saúde Nizete Tavares faz um esclarecimento à população acerca de vários pontos em que tem sido criticada nos últimos dias por alguns setores da imprensa e sindicalistas.
N.T
“Nós não estamos vivendo uma crise de saúde no Crato. A secretaria de saúde do Crato tem buscado no seu dia-a-dia desempenhar da melhor maneira possível todos os serviços prestados à população. Infelizmente, nós temos um problema que não é do município do Crato. É um problema que podemos dizer que é do Ceará e do Brasil, da falta do profissional médico. Então essas estórias que estão surgindo de que o Crato não tem médico por conta do salário, isso não é verdade. Os salários dos municípios que são nossos vizinhos, o salário de um médico é o mesmo pago nos municípios vizinhos. Os municípios que pagam um valor maior são os municípios de pequeno porte que recebem também do ministério da saúde um repasse maior. Mas o Crato tem o mesmo salário equivalente a Juazeiro, Barbalha, então, isso não é verdade! E a falta de médicos não é só no Crato. Inclusive, a imprensa poderia estender a visita aos outros municípios da região para constatar o que eu estou dizendo, e nós enquanto secretários temos tido várias reuniões e isso é uma preocupação dos secretários da dificuldade que temos tido na questão do profissional, do médico.”
N.T
“A Saúde no Crato está funcionando bem, nossos indicadores de saúde mostram isso, nós temos aí um trabalho bastante efetivo que estamos realizando nesse ano de combate á dengue, temos uma taxa de mortalidade materna que reduziu significativamente na nossa gestão, os indicadores de imunização…”
N.T
“Isso não é ( só ) um problema do município do Crato, isso é um problema do País”
B.C – E a que você atribui toda essa celeuma em torno da chamada crise da saúde no Crato ? Porque essa exploração em alguns setores da imprensa exatamente em cima dessas coisas todas justamente agora ?
N.T
“Infelizmente eu não sei te dizer, eu não conheço as pessoas, inclusive saiu em alguns jornais dizendo que as pessoas me procuraram e teria me negado a dar entrevista… ISSO NÃO É VERDADE ! – tá certo ? todos os canais de televisão, a imprensa falada, escrita que me procura, eu estou aberta para atender, para receber, para prestar informação que se fizer necessária. Eu só não concordo é em eu falar uma coisa e a imprensa colocar outra. Isso eu não concordo !”
Para ouvir a entrevista na íntegra, clique no player abaixo:
Reportagem: Dihelson Mendonça
Na semana que passou, o Blog do Crato tratou bastante de temas relacionados ao meio ambiente, por ocaisão da semana da árvore. Evidentemente que em se tratando do assunto, o Dr. Nivaldo Soares, secretário de meio ambiente e controle urbando do Crato foi enfocado em diversas matérias veiculadas. Nada mais justo, até porque o seu trabalho frente à essa secretaria é um modelo de trabalho, determinação e seriedade que deveria ser seguido por muita gente nessa cidade. Por esse motivo, o Blog do Crato traz hoje uma entrevista bastante interessante, de cerca de 40 minutos com o Dr. Nivaldo Soares, quando trazemos à baila, temas como “A Vocação do Crato”, “Desenvolvimento”, “Petróleo na Chapada do Araripe”, e sobretudo, o seu engajamento na Grande Campanha planejada pelo Prefeito Samuel Araripe, que trata da despoluição Sonora e Visual do Crato.Alguns pontos altos da entrevista:
“O Crato está recebendo um Centro de Convenções. No início do mês de Abril, o Governador Cid Gomes vem assinar a ordem de serviço para a construção do Centro de Convenções do Crato.”
Sobre a Despoluição Sonora e Visual, e retirada de camelôs do Centro da Cidade:
“As praças e as calçadas tem que estar totalmente desobstruídas para que o cidadão possa transitar livremente nesses espaços. Existe no Brasil a chamada Lei da Acessibilidade. São posições equivocadas que muitas vezes algumas pessoas da cidade e até lideranças de alguns segmentos acham que se deve tratar dessa forma como “coitados” ( Os camelôs ) ou como qualquer outra maneira que venha beneficiar comprometendo todo o resto da população. Então é preciso que cada um assuma o seu compromisso, a sua responsabilidade. Cada um exercendo suas atividades no lugar que é Próprio. Nós não podemos admitir que a lei seja rasgada, que a lei seja descumprida. É o primeiro passo que temos a cumprir nesse trabalho é a obediência à legislação que existe no município, no estado e na união.”
Entrevista com o Secretário de Meio Ambiente Nivaldo Soares
( A fim de evitar ouvir 2 sons ao mesmo tempo, antes de tudo, pare o player da Rádio Chapada do Araripe, na entrada do Blog )
Clique no player logo abaixo:
Na manhã da última quinta-feira, dia 12, estivemos com a secretária de Cultura do município de Crato, Sra. Danielle Esmeraldo, que nos concedeu entrevista sobre um projeto que vem ganhando força nas ruas do Crato. Trata-se do projeto da revitalização do sítio Caldeirão, local histórico próximo ao distrito de Santa Fé, aonde na década de 30, sob o comando do Beato Zé Lourenço, foi construída ali uma grande comunidade, onde os bens eram repartidos de forma igualitária entre os membros. O trabalho era valorizado e em pleno sertão, viu-se o surgimento de um povo que seguindo apenas as leis da fé e do trabalho árduo conseguiram realizar o milagre da fartura e de dias felizes. Em 1936, temendo a força que o beato Zé Lourenço ganhava a cada dia, o local foi invadido e bombardeado, quando houve um verdadeiro massacre, que segundo alguns estudiosos, chega a cerca de 400 mortos. O Blog do Crato procurou ouvir a secretária Danielle Esmeraldo, que nos trouxe as seguintes informações:B.C – Qual o próximo passo?
D.E – O nosso próximo passo é fazer um seminário mostrando esse projeto para as pessoas, entrar com a URCA ( Universidade Regional do Cariri ), com geólogos, arqueólogos, fazer um estudo aprofundado, para que nós não possamos errar nesse processo, e fazer tudo de acordo com a Lei do Patrimônio.
B.C – O Projeto então, já está aprovado ?
D.E – Sim. O projeto já está aprovado lá no COPAC, que é a coordenação da SECULT que cuida do patrimônio. O Secretário Otávio, já esteve aqui, e trouxe outras pessoas importantes, ao projeto e só estamos aguardando passar a quadra invernosa, para começar a construção, e pretendemos realizar esse projeto até setembro, a fim de que seja inaugurado na missa que acontece todo ano, e já fazendo a divulgação da romaria, bem como um trabalho paralelo a isso, que Eu e o Cacá Araújo nos concentramos para realizar, que seria um grande espetáculo cênico dedicado ao lançamento. Esse é o nosso propósito. Estamos lutando para que seja ainda nesse ano. Se não for possível em razão do curto prazo, lutaremos para que nos próximos anos aconteça esse espetáculo e seja um motivo para que as pessoas possam vir assistir, e possam conhecer a história, além de trabalhar com os universitários de pesquisa de todo o país, além dos estudantes de nossa própria região para que conheçam essa história que é tão importante quanto a do Padre Cícero e a de Antonio Conselheiro em Canudos.
B.C – O que você acha dessa porção da nossa história enterrada naquele caldeirão ?
Olha, indiscutivelmente, é uma história riquíssima, e é polêmica também, onde nesse seminário nós iremos trabalhar mais esse lado, pois isso é um resgate histórico e que não pode se perder, porque aquilo ali é um marco muito forte na história da nossa cidade, e que pouquíssimas pessoas conhecem.
B.C – Aonde será realizado o seminário sobre o caldeirão ?
D.E – Nós queremos realizar no próprio local, inclusive estou preparando o material, vou convidar as pessoas, inclusive o Governador, para vir fazer a assinatura da ordem de serviço, já que é uma parceria com o governo do estado, e também com a presença do idealizador do projeto, o próprio Rosemberg Cariry. Pretendemos ao fim de tudo, fazer um trabalho de continuidade com a própria comunidade, de tudo que o beato fazia, da preservação do meio ambiente, com o plantio para a subsistência, o engenho, a fiagem, a criação de animais, enfim, todas aquelas coisas que nós esperamos revitalizar, fazer voltar, até porque se analisarmos pela perspectiva da história, o Caldeirão foi um exemplo de modelo social que deu certo, das pessoas viverem em comunidade de forma igualitária, e por isso mesmo, já estava ameaçando os grandes líderes políticos, que não viam com bons olhos todo aquele movimento. Há até uma passagem que foi registrada na qual, um fazendeiro precisou de homens para limpar a fazenda dele, e de um dia para o outro ele ( O Beato ), teria enviado cerca de 400 homens, e em apenas hum dia, a fazenda foi limpa. Essa é uma demonstração do respeito e da admiração que todos tinham pelo beato Zé lourenço.
B.C – Mas havia também a parte da fé…
Claro. Existia a parte da fé, esse fanatismo que a gente não pode negar, mas estavam construindo algo de útil, e inclusive vale ressaltar que as pessoas que conheceram de perto toda a história, que vivenciaram, já estão morrendo, e é nosso propósito fazer um vídeo, uma exibição, que faz parte do projeto inicial de Rosemberg também, de fazer um acompanhamento de todos os trabalhos, desde o primeiro tijolo que for colocado no local, até o final do projeto.
B.C – O Cineasta Rosemberg Cariry está acompanhando esse trabalho, mesmo de longe ?
D. E – Eu tive mais contato com Wilton Dedê, mas já estamos estreitando os contatos também com Rosemberg, inclusive eu estarei viajando nesse final de semana, e levarei o projeto na sua forma atual, a fim de mostrar como ficou aqui, e não só com o Rosemberg, mas gostaríamos de compartilhar o projeto com as Universidades, com os profissionais de Arquitetura, com os Arqueólogos, porque é um local tombado, então a gente tem que ter essa preocupação, e nós precisaremos acompanhar semanalmente esse projeto. Eu, particularmente, estarei lá toda semana para acompanhar as obras, até porque, um tijolo se colocado de forma errada já descaracteriza todo o resto, e nós queremos que os visitantes ao chegarem ao local depois de pronto, sintam a história do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, que remetam ao passado, e tentem imaginar o que foi aquilo ali através do que eles estarão vendo…casas feitas de pedra… aquilo ali é algo simplesmente fabuloso!
B.C – Existe algum projeto no sentido de melhorar o acesso ao local ?
Olha, existem 2 possibilidades que estaremos trabalhando. Uma delas é melhorar a via de acesso já existente, porque nós queremos sobretudo, incentivar o turismo, então precisamos dar acesso às pessoas, fazer com que as pessoas cheguem até lá. A outra possibilidade é de construir outra estrada a partir da cidade de Nova Olinda, porque aí faria parte do roteiro turístico das duas cidades. Mas essas questões ainda estão sendo estudadas! O projeto atual contempla a restauração da estrada atual, mas surgiram outras idéias, e ainda discutiremos com o prefeito Samuel Araripe, e com todos os técnicos, a fim de ver o que realmente poderá ser escolhido de melhor para aquele local.
Mais Informação: O que foi o Caldeirão:
O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto foi um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras no Crato, Ceará. A comunidade era liderada pelo paraibano de Pilões de Dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por beato José Lourenço.
No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma quota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na Religião.
José Lourenço trabalhava com sua família em latifúndios no sertão da Paraíba. Decidiu migrar para Juazeiro do Norte, onde conheceu Padre Cícero e ganhou sua simpatia e confiança. Em Juazeiro conseguiu arrendar um lote de terra no sitio Baixa Dantas, no município do Crato. Com bastante esforço de José Lourenço e os demais romeiros, em pouco tempo a terra prosperou, e eles produziram bastante cereais e frutas. Diferente das fazendas vizinhas, na comunidade toda a produção era dividida igualmente.
José Lourenço tornou-se líder daquele povoado, e se dedicou à religião, à caridade e a servir ao próximo. Mesmo analfabeto, era ele quem dividia as tarefas e ensinava agricultura e medicina popular. Para o sítio Baixa Dantas eram enviados, por Padre Cícero, assassinos, ladrões e miseráveis, enfim, pessoas que precisavam de ajuda para trabalhar e obter sua fé. Após o surgimento da Sedição de Juazeiro, da qual José Lourenço não participou, suas terras foram invadidas por jagunços. Com o fim da revolta, José Lourenço e seus seguidores reconstruíram o povoado.
Em 1921, Delmiro Gouveia presenteou Padre Cícero com um boi, chamado Mansinho, e o entregou aos cuidados de José Lourenço. Os inimigos de Padre Cícero, se aproveitaram disso espalhando boatos de que as pessoas estariam adorando o boi como a um Deus. Por conta disso, o boi foi morto e José Lourenço foi preso a mando de Floro Bartolomeu, tendo sido solto por influência de Padre Cícero alguns dias depois.
Em 1926, o sítio Baixa Dantas foi vendido e o novo proprietário exigiu que os membros da comunidade saíssem das terras. Com isso, Padre Cícero resolveu alojar o beato e os romeiros em uma grande fazenda denominada Caldeirão dos Jesuítas, situada no Crato, onde recomeçaram o trabalho comunitário, criando uma sociedade igualitária que tinha como base a religião. Toda a produção do Caldeirão era dividida igualmente, o excedente era vendido e, com o lucro, investia-se em remédios e querosene.
No Caldeirão cada família tinha sua casa e órfãos eram afilhados do beato. Na fazenda também havia um cemitério e uma igreja, construídos pelos próprios membros. A comunidade chegou a ter mais de mil habitantes. Com a grande seca de 1932, esse número aumentou, pois lá chegaram muitos refugiados. Após a morte de Padre Cícero, muitos nordestinos passaram a considerar o beato José Lourenço como seu sucessor.
Devido a muitos grupos de pessoas começarem a ir para o Caldeirão e deixarem seus trabalhos árduos, pois viam aquela sociedade como um paraíso, os poderosos, a classe dominante, começaram a temer aquilo que consideravam ser uma má influência.
Em 1937, sem a proteção de Padre Cícero que falecera em 1934, a fazenda foi invadida, destruída e os sertanejos divididos, ressurgindo novamente pela mata em uma nova comunidade, a qual, tempos depois, foi invadida novamente, mais dessa vez por terra e pelo ar, quando aconteceu um grande massacre, com oficiais 400 mortos.
José Lourenço fugiu para Pernambuco, onde morreu aos 74 anos, de peste bubônica, tendo sido levado por uma multidão para Juazeiro, onde foi enterrado no cemitério do Socorro.
Atualmente, 42 famílias revivem o sonho coletivo de produção idealizado por José Lourenço, num sítio denominado Assentamento 10 de Abril, a 29 km do centro do Crato. Porém sem ostentar a grandeza atingida pelo Caldeirão do beato José Lourenço.
Fonte: Wikipédia
Fotos: Pachelly Jamacaru
Reportagem: Dihelson Mendonça
Finalmente completa e editada, trazemos a entrevista do Prefeito Samuel Araripe concedida ao Blog do Crato recentemente, em vídeo. A fim de visualizar melhor, reunimos todas as 10 partes em uma página separada. Pretendemos ainda oferecê-la em forma de áudio apenas, bem como as melhores partes em texto. Aqui está:
Clique no Link Abaixo:
Ou se preferir assisti-la por partes:
Parte 1 – Elogios ao Blog do Crato e a Procura do Debate Político
Parte 2 – Enxugamento da Máquina Administrativa
Parte 3 – Reforma da Praça Siqueira Campos
Parte 4 – Reforma – Continuação da Reforma
Parte 5 – Sobre o Campus Universitário
Parte 7 – Mercado Público Municipal
Parte 8 – O Problema do Lixo – Usina de Reciclagem
Parte 9 – Problema da Água da Zona Rural
Parte 10 – Final – A Zona Metropolitana do Cariri
Abraços,
Dihelson Mendonça
Olá, Pessoal,
Para visualizar melhor a recente entrevista concedida ao Blog do Crato pelo Prefeito Samuel Araripe, reunimos todas as 10 partes em uma página separada.
Clique no Link Abaixo:
Ou se Desejar assisti-la por partes:
Parte 1 – Elogios ao Blog do Crato e a Procura do Debate Político
Parte 2 – Enxugamento da Máquina Administrativa
Parte 3 – Reforma da Praça Siqueira Campos
Parte 4 – Reforma – Continuação da Reforma
Parte 5 – Sobre o Campus Universitário
Parte 7 – Mercado Público Municipal
Parte 8 – O Problema do Lixo – Usina de Reciclagem
Parte 9 – Problema da Água da Zona Rural
Parte 10 – Final – A Zona Metropolitana do Cariri
Abraços,
Dihelson Mendonça