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Arquivo para ‘fevereiro, 2009’

Entre Pães, Limonadas e Lembranças de um velho Padeiro – Por: João Carlos Holanda Cardoso

Não posso dizer que tenha conhecido meu avô Cirilo. Em 1970, quando ele faleceu em um domingo, dia 01 de março, eu possuía meros cinco anos de idade. Amanhã, coincidentemente um domingo, 01 de março, completam-se 39 anos que Antonio Correia de Oliveira (Antonio Cirilo) se foi. Hoje, aos 44 anos, sua lembrança é para mim, como se fosse a recordação de um filme que assisti, ou a de um conto que li. São lembranças muito distantes e vagas as de um garoto desta idade.

Puxando, um pouco, pela memória recordo algumas imagens daquela infância vivida no Crato: lembro-me da Rua Nelson Alencar, esquina com Padre Sucupira, onde nós morávamos; lembro-me do nascimento de meu irmão Crisanto; das aulas de catecismo e da Primeira Comunhão, feita juntamente minha irmã e uma prima; dos deliciosos e desejados picolés de Corina, dona ou empregada (não sei, bem) de uma bodega próxima; da bicicleta que ganhei numa data próxima ao carnaval e dos passeios até Juazeiro ou Barbalha, no bagageiro de uma Variante adquirida por um tio. São todos acontecimentos que me vêem como flashes do passado. As recordações de um garoto são diferentes das de um adulto. São lúdicas, recobertas por um material diferente que são as imagens e sensações, e não pensamentos ou julgamentos. E é bom que seja assim!

Começo a ter estes pensamentos sobre um tempo tão distante enquanto converso com o meu pai Zilberto Cardoso, aqui em Fortaleza, onde moramos, e no momento em que lhe presenteio com um rádio de ondas curtas, antiga paixão de um passado cratense em um Brasil sem televisores e internet. Conversa vai, conversa vem e a lembrança do meu pai sobre o seu pai vai tomando corpo. Suas lembranças são vivas e carinhosas e, momentaneamente, me envergonho de não possuí-las. Do vovô lembro-me pouco, como já disse. Sei dele, sobretudo a partir do relato de meus parentes, que era um senhor cordato e moralmente austero, que possuía enorme influencia sobre os filhos e que gozava, junto destes, de enorme admiração. Vovô Cirilo é ou foi para mim um conjunto de imagens construídas por relatos. A casa da Pedro II onde viveu e que ainda hoje pertence à família ajuda-me a lembrá-lo como um velho senhor vestido de branco, sentado em uma cadeira de balanço, de vime, ao lado de minha avó Inês Cardoso de Oliveira, Vovó “Coração”, na varanda do antigo quintal que sei que não mais existe da forma como era antes.

O Vovô e a Vovó, no quintal na casa da Rua Pedro II: esta é a mais forte lembrança que tenho deles! Morávamos um pouco distante, e as visitas aos avós paternos eram acompanhadas por certa expectativa. Lembro-me, acima de tudo, da enorme quantidade e variedade de objetos e coisas naquele quintal avarandado e com um jardim central, repleto de roseiras, entre elas um enorme limoeiro. Lembro-me de uma cacimba rasa, de um galinheiro cheio de aves e da mistura de cheiros de tudo o que se possa imaginar que existe em um local assim. Recordo, por fim, do cheiro e do sabor do refresco de limão, feito por minha avó, que até hoje procuro reencontrar. Limonada que era bebida acompanhada de pão sovado ou pão doce, e que eram feitos na padaria da própria família. Meu avô, padeiro Cirilo, minha avó, Coração, responsável pela feitura da melhor limonada que já tomei até hoje; e aquele quintal que era um mundo a ser desvendado e é, ainda hoje, um universo feliz de lembranças lúdicas de um passado que hoje, 39 anos depois, retorna.

Em homenagem ao meu avô e a minha avó vou tentar, neste domingo, fazer, eu mesmo, uma boa e natural limonada, comprar um bom pão sovado e sentar com meus filhos para comer e beber. Vou falar do bisavô Cirilo, da Bisavó Coração, aproximá-los um pouco mais de minha família e, assim, fazer seguir o ciclo da vida.

João Carlos Holanda Cardoso

A Troça – Por: Dr. José Flávio Vieira

“E qual é a natureza do Deserto ?
é uma terra onde todos vivem uma vida
falsa, fazem a mesma coisa que os outros
fazem, do modo como lhes foi ensinado,
sem que ninguém tenha coragem de viver sua
própria vida.”
Joseph Campbell

Para Campbell (1904-1987), um dos mais profundos estudiosos da Mitologia, existem duas forças inconscientes na raça humana impulsionadoras das histórias mitológicas. A primeira delas é a nossa Finitude . Somos espécie extremamente perecível e de vida curtíssima se comparada , por exemplo, aos reinos mineral ou vegetal ou mesmo a outras espécies menos desenvolvidas como as tartarugas. Este terror da estrada tão curta e com tantos abismos nos assalta a cada passo. A outra delas é a constatação da nossa selvageria intrínseca : para sobrevivermos temos que devorar outras espécies diariamente , vegetais ou animais. Este destino canibalesco nos persegue sem trégua. Parece-nos aterrador , com tanto desenvolvimento humano, com tanto avanço tecnológico, não conseguirmos escapar das mais primárias leis da floresta. Para escapar no planeta , mesmo dentro dos limites apertados da nossa finitude, temos que utilizar meios não diferentes do lobo e do chacal. A maior parte dos mitos, assim, surgem de forças inconscientes que buscam , como um mecanismo de defesa, minorar um pouco esta constatação aterradora: por mais importantes e civilizados que os homens se sintam, não passam de canibais de vida brevíssima.
Assim, os rituais de morte em toda nossa trajetória aqui pela terra são carregados de significado. Quase todos pregam uma possibilidade de transcendência. A vida não é só esta curta passagem terrestre, mas continuaria infinitamente em outras dimensões. As cerimônias religiosas variam histórica e geograficamente, mas todas carregam consigo este potencial mágico de prolongar a existência humana. Algumas em espírito como na Umbanda, no Kardecismo e no Budismo; outras como entre os Cristãos, os islâmicos e os egípcios : em corpo e alma. O anverso e reverso desta mesma moeda estão, como era de se esperar, ligados umbilicalmente e a outra dimensão mágica desta vida é necessariamente um reflexo da dimensão real. Do outro lado colheremos o que plantamos por aqui ou teremos que continuar semeando por lá até que nasçam frutos opimos e saborosos.
Entre nós os rituais fúnebres são bem mais leves entre os Kardecistas, os Budistas e no Camdomblé . Entre os Cristãos percebe-se que , mesmo com a promessa inconteste de ressurreição plena futura , existe uma difícil digestão da partida final. Talvez porque o sentimento de culpa que nos é imposto desde a infância seja aterrorizante. Nascemos já com uma dívida de uma maçã digerida ainda no Gênesis e com a pena eterna da crucificação de Cristo; além dos espectros do inferno e purgatório a nos perseguir. O pavor do julgamento final, por mais misericórdia que se pregue na imagem do Criador, é sempre vultoso. As religiões que acreditam na Reencarnação , por outro lado, apresentam a cômoda possibilidade de se pagar a dívida eterna em módicas prestações reencarnatórias. Diferentemente, em Nova Orleans , o berço do jazz, os funerais começam geralmente acompanhados de bandas afinadíssimas tocando blues , mas a partir de um certo momento, atacam com músicas animadas e carnavalescas e as pessoas dançam e pulam, inclusive o fazem com o próprio caixão, incluindo o falecido no baile. É como se simulassem o ritual de morte-renascimento. Choramos pela morte, mas comemoramos o renascimento neste mesmo instante
Talvez, por tudo isto, o Carnaval, entre nós , seja uma festa tão gigantesca e de tanto significado mitológico. Claro que estou me referindo a um Carnaval como de Olinda e Recife. O de Salvador é uma indústria de entretenimento, perdeu toda característica de uma festa popular. A maisena foi substituída pela Caixa Registradora. O período momino nos dá uma espécie de salvo-conduto religioso. É como se tapássemos os olhos de todos os vigilantes da moralidade por cinco dias. Quebram-se as fronteiras sociais e todas as castas se misturam sem nenhum apartheid. Os códigos de conduta, os rigores do moralismo se esfacelam. Chutamos o traseiro de Apolo e caímos nos braços de Dionísio. Cada um veste seu figurino e , naqueles cinco dias, representa um personagem no grande palco da vida. O empresário se veste de urso, a mocinha de melindrosa, o rapaz de prostituta, o menino de super-herói. Tudo que acontece é perfeitamente transitório e temporário: as relações, as brincadeiras , as danças, os movimentos, os afetos. Simplesmente porque são realizados pelos personagens de que cada um está travestido. Na quarta-feira, despem-se as roupas da Cinderela e os personagens saem de cena, já não é possível encontrar a dona do sapatinho de cristal. Todos os blocos têm uma relação muito suave com a perspectiva da morte. A cada ano vão faltando foliões inveterados. Homenagens são feitas, a saudade claro, existe, mas em nenhum momento se quebra a alegria da festa. Os frevos e os bonecos gigantes eternizam o nome deles : Felinto, Pedro Salgado, Guilherme Fenelon, Raul Morais, Capiba, Nélson Ferreira, Edgar Morais, Batata, Enéas do Galo da Madrugada. Além dos antigos blocos que foram desaparecendo : Bloco das Flores, Andaluz, Pirilampos,Turunas de São José, Apóis Fum. A sensação que todos têm é que , agora, com suas ausências naturais, os que ficam têm que manter a tudo custo alegria e a ludicidade da festa. Existia em Olinda um senhor humilde chamado Mário Raposo e que todo carnaval se vestia de fraque e cartola e incorporava um personagem conhecido por todos : “O Lord”. Há dois anos seu Mário partiu e, defronte da sua casa, na Rua do Amparo, há um pôster extremamente significativo, colocado desde então em todo Carnaval . Um retrato grande do Lord e abaixo : “ Mário Raposo – Saudades Sim, Tristeza Nunca !”.Talvez as Cinzas da Quarta-Feira já tenham sido colocadas estrategicamente depois da folia para jogar água morna no povo, trazendo-os de volta à culpabilidade da vida cotidiana.
O Carnaval traz consigo, assim, este grande potencial mitológico e terapêutico. A existência , quem sabe, é uma espécie de troça chamada de “A Vida é Maravilhosa”. Os foliões terão sempre uns poucos dias para brincar; todos se disfarçarão de muitos personagens neste desfile; muitos irão saindo , pouco a pouco , do corso e os que ficam precisam manter a alegria da festa e, mais, se divertir pelos que ficam e pelos que já não estão presentes. É preciso manter erguido o estandarte da troça: a saudade não poderá nunca se transformar em tristeza. E, como nunca se sabe quando a festa acaba, é mergulhar no passo, antes que no horizonte irrompa a quarta-feira ingrata com suas cinzas de chumbo.

J. Flávio Vieira

Marolas – Por: Claude Bloc

Foto por Claude Bloc
.
Onde eu morava havia um açude
em que minha teimosia mergulhava
nas tardes de estio.
Ali também, o sol deslumbrado
brincava infiltrando-se
nas turvas águas de minha incerteza.
Eu era apenas uma menina
cheia de esperanças
e sonhos.
Ficava quieta, concentrada
sozinha,
entre aquela fartura de silêncios
que abrigava meu espetáculo vital.
Tocava o vento
e a marola encrespada
da superfície do espelho
Refletia-me…
Escutava o desabrochar da tarde
esvaziando-se de luz
escondendo o destino
nas vestes insalubres das águas.

Espumas ancoravam nas margens
festejando a noite que vinha
…e um manto de estrelas
faiscava no sereno
à última luz do dia.

A brisa chegava
inconsequente
faceira
e
passeava por sobre o silêncio
escondendo segredos
segredando incertezas
o vento na proa dos sonhos
soprando-me a nuca
emprestando saudades
aos meus desejos.

***
Por: Claude Bloc

De um amigo para outro – Por : Nilo Sérgio Monteiro

Estimado José do Vale,

As referências elogiosas que você me dedicou me envaidecem e certamente provém mais desse coração bondoso que carrega no peito. Fomos contemporâneos de tantas histórias, a mais inesquecível delas é de termos sido colegas da IVª Série Ginasial do glorioso Colégio Diocesano na turma mais eclética e vanguardista que o saudoso Monsenhor Montenegro já topou. Outro dia, José me lembrou em um de seus artigos a saga das paqueras e namoros com as meninas da Praça Siqueira Campos em suas “quilométricas voltas” nos domingos à noite. Lá tudo podia acontecer, ou não! E lembrava: como eu era “amigo” de todas as meninas do Crato e ele estava apaixonado por “alguém”, queria que eu conversasse com ela. Esse “conversar” era a minha arte, hoje o termo seria: “fazer a cabeça”. Socorro Moreira proclama do alto de sua sapiência e extrema capacidade de observação que eu namorei metade das meninas do Crato enquanto a outra metade suspirava! Faz sentido então o apelido que me arrumaram: CD! Esse apelido CD, José lembra, é aquele sujeito doce, mas é um adjetivo qualificativo que de cara ao menos avisado leitor soaria pejorativo. Mas não era! Infelizmente é uma palavra aqui impublicável, mas o caro leitor neste momento já sabe o significado e estará certamente dando uma risadinha. Mas esse apelido adveio da minha natural facilidade de comunicação, especialmente com o sexo oposto. Além do mais, estava em todas as rodas e circulava em todos os grupos. Era convidado pra tudo que é festa, reuniões e eventos. Imaginem que até a Madre Siebra e a Irmã Maria de Fátima me abriam os portões daquela “maravilha” que era o Colégio Santa Teresa, das inesquecíveis e míticas internas. Tudo que era festa a Madre me chamava para organizar. Fora o Padre Confessor, os mestres de obras e peões, homem nenhum pisava lá dentro! Ah! Que maravilha, com minha cara de “santo do pau oco” namorei logo de saída com duas irmãs pernambucanas, não namorei a terceira porque não deu tempo! E para completar o meu “instrumental” não é que o Padre José Honor de Brito (saudades) me chamou um dia e disse-me: Nilo Sérgio, você foi ótimo aluno de Latim e Grego no Seminário, deve escrever bem. De agora em diante você está nomeado o Cronista Social do Jornal. Pronto! Juntou a fome com a vontade de comer! Recordo-me que criei uma coluna denominada: “curtinhas”! Alguém lembra? As socialites do Cariri me cercavam e era um tititi infernal. Na redação tive a honra da conviver e aprender com a amizade dos insuperáveis jornalistas e radialistas: Antonio Vicelmo e Humberto Cabral. E por ai fui indo. Bom mesmo era a chegada das famosas “excursões” com garotas de outras cidades do Cariri para hospedar-se no Colégio. Meu caro José você lembra? Era uma loucura! Choviam os muitos outros galãs da cidade. E naquela rua ficavam pra cima e pra baixo. Ou encostados na casa do nego Zé Ribeiro. E os “pés de valsa” hem? Esses tinham seu momento de glória e a facilidade de passar a famosa cantada. Quem não dançava bem era um suplicio hem José? José carrega ainda hoje, suponho um sorriso franco, enigmático até. Mas jovial e encantador. Sujeito inteligente, arguto, um amigo que eu gostava demais da conta. Mas tinha um defeito: era tímido que só vendo no trato com o sexo oposto. Bom. Só sei que nessa história de leva e trás recados, ajeita namoros, faz as pazes, não me lembro se meu desempenho de “cupido” deu certo para o amigo. Espero que sim! Só sei que sua paixão deu namoro, amor e casamento que descreveu com a maestria de sempre no artigo ao qual me referi no início. Sim José, nós vivemos uma contemporaneidade inesquecível e continuamos a combater um bom combate! Até o nosso encontro que aguardo ansioso. Deus e N. S. da Penha nos guarde até lá.

Por: Nilo Sérgio Monteiro

Nos Leilões do Padre Onofre – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Esta é uma das muitas histórias que o meu amigo Leofredo Pereira costumava contar. Um dos seus companheiros de infância, nos anos cinqüenta, tinha um estranho apelido: De Bronze. Não cheguei a conhecê-lo, mas de tanto ouvir Leofredo contar suas peripécias, imaginei que De Bronze não poderia ser nenhum santo. Depois de haver aprontado muito no Juazeiro, De Bronze foi trabalhar na construção de Brasília, onde imagino que até hoje esteja radicado. Na época, correu a notícia de que De Bronze havia se transformado num homem, para contentamento geral e alívio de toda a população juazeirense. Dois ou três anos depois da sua ida para Brasília, De Bronze voltou de férias, justamente na época das festas de São Miguel. Na primeira noite do leilão, De Bronze reuniu os amigos, Leofredo entre eles e partiram para uma noitada de diversão na quermesse do padre Onofre. De Bronze trazia os dois bolsos laterais de suas calças completamente cheios. Salientava-se de seu interior algo parecido com dois volumosos maços de cédulas de dinheiro vivo. A toda hora, De Bronze batia sobre os bolsos emitindo um som fofo e dizia: “Hoje nós vamos deitar e rolar. Trabalhei duro em Brasília e vamos gastar, beber e comer como reis. Esta é a minha lei”. De Bronze e os amigos ocuparam umas três mesas que foram ajuntadas no centro da quermesse e começaram a arrematar tudo que era posto em leilão: perfumes, quinquilharias diversas e galinhas fritas. O padre Onofre esfregava as mãos de contentamento e dizia para seus auxiliares: “Atendam bem àquele jovem, ele está muito animado e veio de Brasília com os bolsos cheios de dinheiro!” De Bronze parece que intuíra o estado de espírito do padre e a cada instante voltava a bater sobre os dois pacotes que trazia em seus bolsos laterais, repetindo: “Vamos beber e nos divertir pessoal! Tudo aqui é por minha conta. Vou gastar como um príncipe árabe!” E continuava arrematando tudo que era oferecido no leilão. Depois que eles e os amigos estavam fartos de comida e bebida, passou a oferecer as prendas por ele arrematadas às mesas das autoridades presentes àquela festa. O prefeito, o juiz, a sua primeira professora, juntamente com o marido dela, os vizinhos foram todos contemplados. Não esqueceu nem mesmo do delegado, seu velho conhecido de outras noitadas insones que passara na prisão. A admiração era geral. Todos eram unânimes em afirmar que o jovem voltara realmente muito mudado. Ficara rico em Brasília! Tava aí um novo homem! Exclamavam uns para os outros. Finalmente, tarde da noite, já quase às duas horas da madrugada, todos já haviam se retirado, menos De Bronze e os amigos. Alguns já emborcados sobre as mesas dormiam o sono dos justos embriagados. Outros pensativos, sem ao menos saberem ao certo onde estavam. Finalmente o padre Onofre chegou com a conta e disse: “Meu filho, a festa de hoje foi muito animada, graças a você e a seus amigos. Mas infelizmente chegou ao fim e aqui está a sua continha. Deu três mil e novecentos e cinqüenta cruzeiros, o que para um jovem como você, que voltou endinheirado de Brasília, não representa nada.” De Bronze levantou a cabeça e com os olhos semi-cerrados respondeu: “Padre, pode mandar me prender que eu não tenho um tostão!” E surpreso, o Padre Onofre indagou: “Então o que é isto que você traz nos bolsos?” E o De Bronze prontamente lhe respondeu: “São dois pão doce, para eu comer na cadeia!”

(Condensado do livro: “Histórias que vi, ouvi e contei.”)
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Ajudem o blog do Crato: Telefonem para ( 088 ) – 3523-2272. e adquiram o livro “Histórias que vi, ouvi e contei.”

Direito de Resposta de Brizola no Jornal Nacional – Por João Paulo Fernandes

Apesar do vídeo ser antigo, ” Vale a Pena Ver de Novo”. É uma pena que a imprensa cearense se cale perante essa emissora, é lamentável a falta de escrúpulos do jornalismo brasileiro!


"Saudade" – Por: José Nilton Mariano Saraiva

Trancar o dedo numa porta dói; bater com o queixo no chão dói; torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é… a dor da saudade.
Saudade de um irmão que mora longe; saudade de uma cachoeira da infância; saudade de um filho que estuda fora; saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais; saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade; saudade da gente mesmo…que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas !!!
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos; saudade da presença e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá; você podia ir para o dentista e ela para a Faculdade, mas sabiam-se onde; você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber; não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia; não saber se ela foi à consulta com o dermatologista, como prometeu; não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de Inglês, se aprendeu a entrar na Internet e a encontrar a página do Diário Oficial. Se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ele continua cantando tão bem.
Saudade é não saber mesmo. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; não saber como frear as lágrimas diante de uma música; não saber como vencer a dor de um silêncio que nada, nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer; é não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso; é não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim doer, e muito.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora, depois que acabou de ler…

Autor: Miguel Falabella – Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

Cai Índice de Mortalidade Infantil no Crato – Unicef esclarece Índices

O município do Crato conseguiu reduzir significativamente nos últimos anos a mortalidade infantil no município, graças a um trabalho integrado da saúde. Dados demonstram essa realidade, relacionada as doenças infecciosas e parasitárias como diarréias, pneumonias, principalmente, em crianças menores de um ano. O relatório da Secretaria de saúde demonstra que no período de 1990 a 2007, houve uma redução de 52% da mortalidade infantil. A taxa de mortalidade infantil nos últimos três anos foi de 16 óbitos em 2006, para cada 1000 nascidos vivos; 13 óbitos em 2007, para cada 1000 nascidos vivos, em 2008, foram 12 óbitos para cada 1000 nascidos vivos, de acordo com dados do Departamento de Epidemiologia da Secretaria de Saúde. O acompanhamento realizado pela Secretaria de Saúde, conforme a secretária Nizete Tavares, demonstra claramente que o município tem avançado sensivelmente nesse indicador, o que garante o alcance dos objetivos de desenvolvimento do milênio em nível nacional e mantêm-se abaixo do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que são 20 óbitos para cada 1000 nascidos vivos.

Relatório do Unicef esclarece índices

O Unicef, por meio de carta de esclarecimento sobre os índices de mortalidade infantil, ressalta que tendo em vista a divulgação global do relatório da SITUAÇÃO MUNDIAL DA INFÂNCIA 2009, o escritório do Fundo das Nações Unidas Para a Infância (Unicef), no Brasil esclarece que os valores apresentam nessa publicação ainda não contemplam os dados da rede Intergerencial de Informações (Ripsa), já utilizado pelo Unicef no Brasil como instrumento de monitoramento e análise da situação das mulheres e crianças no Brasil.

As diferentes metodologias utilizadas nos modelos estatísticos globais e em cada país para o cálculo de alguns indicadores apresentam resultados diferenciados. Em nível global, a mortalidade de crianças é calculada e ajustada anualmente por um grupo interagencial, constituído pelo Unicef, OMS, Banco Mundial e Divisões de População e de Estatística das Nações Unidades. Estimativas publicadas em edições consecutivas de diferentes relatórios não podem ser comparadas e usadas para a análise da mortalidade infantil ao longo do tempo, uma vez que estão sujeitas a constantes ajustes e revisões que, em muitos casos, alteram a série histórica. O relatório do Unicef demonstra que, no período de 1990 a 2007, houve uma redução de 62% da mortalidade da infância (menores de 5 anos) e de 59% da mortalidade infantil (menores de 1 ano) no Brasil. Os dados brasileiros, conforme a Ripsa, demonstram que a taxa de mortalidade em menores de 5 anos caiu de 50,6/1000 nascidos vivos em 1991 para 23,1/1000 nascidos vivos em 2007, com uma constante tendência de melhora. Em 2006 e 2007, a taxa caiu de 23,6 para 23,1. Já a taxa de mortalidade em menores de um ano caiu de 45,2/1000 nascidos vivos em 1991 para 19,3/1000 nascidos vivos em 2007, apresentando também uma tendência constante de melhora. Entre 2006 e 2007, a taxa caiu de 20,2 para 19,3.

Fonte: Website Oficial da PMC


Centenário do Poeta – Festa para Patativa do Assaré – Por: Antonio Vicelmo

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Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, tornou-se famoso com a poesia do sertão (Foto: JOSÉ LEOMAR)

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Filhos e netos de Patativa em frente à casa restaurada onde nasceu o pai ilustre. O imóvel está com o desenho arquitetônico original preservado (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

A partir de amanhã, e até o dia 5, o município do Assaré está em festa para marcar os 100 anos de seu filho maior

Assaré. “Seu doutor só me parece/que o senhor não me conhece/nunca soube quem sou eu/nunca viu minha paioça/minha muié minha roça/nem os fios que Deus me deu”. Ao se autodefinir como um pobre matuto roceiro, o poeta Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, nunca imaginou que o seu nome fosse ficar gravado nos principais equipamentos de sua cidade natal. Estrada, emissora de rádio, memorial, universidade e escolas têm o nome do poeta que, se fosse vivo, estaria comemorando 100 anos de idade no próximo dia 5. Patativa nasceu a 5 de março de 1909 na Serra de Santana e morreu em 8 de julho de 2002.

Sete anos depois de sua morte, o nome daquele agricultor sofrido, que se tornou órfão de pai e arrimo da família na adolescência, é o maior referencial de Assaré que, se não fosse o poeta, era mais uma “cidadezinha” perdida nos limites do Cariri com a região dos Inhamuns, a mais seca do Estado. Nem mesmo o Barão de Aquiraz, que foi deputado, senador e também vice-presidente do Ceará e construiu sua casa, no Sítio Infincado, município de Assaré, conseguiu projetar o nome da cidade.

Além das fronteiras
O menino Antônio Gonçalves da Silva, que virou “Senhorzinho” para a família e transformou-se em Patativa para o mundo, ultrapassou as fronteiras do Brasil e está sendo estudado na cadeira de Literatura Popular Universal, sob a regência do professor Raymond Cantel, na Universidade de Sorbonne, França, uma das mais antigas do mundo. Patativa do Assaré, segundo Cantel, era unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil.

Para chegar onde chegou, tinha uma receita prosaica: dizia que para ser poeta não era preciso ser professor. “Basta vê no mês de maio/ um poema em cada gaio/ um verso em cada fulô”. O professor Plácido Cidade Nuvens, reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca), que escreveu o livro “Patativa do Assaré e o Universo Fascinante do Sertão”, editado pela Fundação Edson Queiroz, vai incluir na segunda edição a tradução dos poemas de Patativa em francês e italiano. O terceiro capítulo tem o título de “A Triste Partida”, que trata do velório e morte do poeta.

A partir de hoje, a cidade de Assaré se “engalana” para refletir sobre a verdadeira dimensão deste homem e de sua obra, a verdadeira grandeza deste agricultor que construiu uma poesia capaz de colocá-lo, em pé de igualdade, ao lado dos maiores nomes da nossa literatura. Uma das homenagens é a restauração da casa onde Patativa nasceu, na Serra de Santana. Foi mantida a mesma estrutura do imóvel anterior. Até mesmo a janela que foi aberta no quarto escuro onde nasceu Patativa foi fechada por determinação dos arquitetos que acompanharam a restauração.

Museu temático
A idéia, segundo o secretário de Cultura de Assaré, Marcos Salmo, é transformar a casa em um museu temático, onde os visitantes possam encontrar, além de móveis antigos restaurados, objetos pessoais do poeta e fotografias da família. O museu irá destacar ainda Patativa como agricultor, abordando este aspecto da vida do poeta, que, mesmo se enveredando pela cultura popular, sempre esteve próximo às atividades do campo, ao cultivo da terra que lhe serviu de inspiração para criação dos versos.

Os móveis foram restaurados pelo poeta Cícero Batista, que foi companheiro de Patativa do Assaré nos desafios de viola. Um dos objetos restaurados foi um santuário com mais de 100 anos. O filho de Patativa, Afonso Gonçalves, que é carpinteiro, fabricou uma das janelas da casa.

Está semana, os filhos de Patativa, Geraldo, Afonso e Inês, que moram na Serra de Santana, acompanharam os últimos detalhes de reconstrução da casa. “Foi um serviço bem feito, eles reconstruíram até o ‘sótom’, onde eram guardados os legumes”, diz o filho mais velho, Geraldo Gonçalves.

A casa de taipa, chão batido, é o retrato fiel da realidade nua e crua vivida pela família Gonçalves. Ali, entre quatro paredes, na solidão da serra, o poeta construiu o seu mundo. Enquanto irrigava a terra árida com o suor de seu rosto, na luta desesperada pela sobrevivência, Patativa cantava as amarguras e alegrias da vida ao som de uma viola.

Família pobre
Os filhos e netos do poeta, que acompanharam de longe a restauração da casa, têm consciência do que o imóvel representa para a família. “Nele estão guardadas todas as emoções de uma família pobre”, diz Inês Alencar, filha mais velha de Patativa, destacando que a casa “é um sacrário de sonhos e ilusões”. É com este sentimento de saudade e gratidão, mas também de uma timidez própria do povo sertanejo, que os familiares de Patativa participam da festa que marca o centenário do pai famoso. Este que nunca deixou de ser o “Senhorzinho”, ou o repentista tocador de viola que varava as madrugadas das noites sertanejas, com versos incomparáveis.

ANIVERSÁRIO
1909 foi o ano de nascimento do poeta popular Patativa do Assaré, que aniversaria os 100 anos no próximo dia 5 de março e vai ganhar ampla programação em municípios do Cariri e em Fortaleza

ANTÔNIO VICELMO
Repórter

Mais informações:
Prefeitura Municipal de Assaré
Rua Pe. Agamenon Matos Coelho, 148, Centro, Cariri
(88) 3535.1163
(88) 3535.1613

HOMENAGEM AO POETA

Programação terá shows e palestras
Assaré. A programação comemorativa ao Centenário de Patativa do Assaré será aberta amanhã, com um recital de poesias na “Rádio Patativa do Assaré”, seguida de uma concentração no Parque de Vaquejada e cortejo de grupos populares. Para noite estão programadas feiras de artesanato, exposições e apresentações de grupos populares. O ponto alto será a entrega dos certificados de Mestres da Cultura, na praça que tem o nome de Patativa. A programação do primeiro dia será encerrada com show das bandas “Forró Menina Morena”, “Solteirões do Forró”, “Banda Real” e “Santana, o Cantador”.

Para a segunda-feira, estão programadas cantorias na feira-livre, oficinas, apresentação de teatro e cinema no distrito de Aratama, exibição de filmes no Parque de Vaquejadas, inauguração de uma brinquedoteca e, à noite, apresentação da Orquestra Eleazar de Carvalho e shows com “Os Nonatos”, “Forró Primeiro Beijo” e “Mastruz com Leite”.

No dia 3, as apresentações de teatro e cinema serão transferidas para o distrito de Amaro. Os filmes serão exibidos no bairro Moeda. No Memorial Patativa do Assaré será realizada uma audiência sobre economia e cultura, promovida pelo Sebrae. A programação prossegue à noite, com apresentação de projetos sociais do município, encontro de sanfoneiros populares e shows com Gildário do Assaré e Adelson Viana, Cícero do Assaré e Orquestra Kariri, bandas “Cheiro de Menina” e “Cacau com Mel”.

No dia 4, as apresentações teatrais serão feitas no distrito de Genezaré, enquanto os filmes serão exibidos no bairro de José Dodó. No Memorial, serão realizadas palestras com Plácido Cidade Nuvens, professor B.C Neto, cineasta Rosemberg Cariri, professor e poeta José Jesus Leite e o agricultor e poeta Geraldo Gonçalves. O mediador é o professor Luizão. À noite, será realizado o Festival de Cantadores e Repentistas, seguido de lançamento de livros e shows com Ítalo e Reno, Dorgival Dantas, Kaninana do Forró e Açaí com Rapadura.

FIQUE POR DENTRO

Comemoração inclui agenda variada
No dia 5, data de aniversário de Patativa do Assaré, a programação será aberta às 6 horas, com alvorada festiva pelas ruas centrais da cidade, queima de fogos e Banda de Música Manoel de Benta. Em seguida, café literário de artistas, professores e a família do poeta. A partir das 9 horas, a programação será na Serra de Santana, com a inauguração da casa restaurada onde ele nasceu, com a presença d o prefeito municipal, Evanderto Almeida, do vice-governador, Francisco Pinheiro, demais autoridades, artistas e comunidade. No fim da tarde, missa de ação de graças na Matriz de Assaré. À noite, inaugurações e shows com Raimundo Fagner, Waldonys, Dominguinhos e Forró Sacode.

RECONHECIMENTO

Senador quer instituir 2009 como o ano do poeta de Assaré
Assaré. Antes da festa pelos 165 anos de nascimento do Padre Cícero Romão Batista, na segunda quinzena de março, Juazeiro do Norte renderá homenagens ao poeta popular Patativa do Assaré. Uma programação conjunta foi elaborada pelas secretarias de Turismo, Cultura e Educação. “Patativa do Assaré Sorbone” é o tema da programação.

Tramita no Senado Federal, em Brasília, projeto de lei de autoria do senador Inácio Arruda, propondo a instituição de 2009 como Ano Nacional Patativa do Assaré. Entre as obras musicais mais conhecidas do poeta, Inácio Arruda registra “A triste partida”, gravada em 1964 por Luiz Gonzaga, que constitui “um verdadeiro tratado sociológico, econômico e psicológico da saga do migrante, com uma conclusão profética e ousada para a época: é triste o nortista/ tão forte e tão bravo/ viver como escravo/ no Norte e no Sul”.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Palestra sobre 120 anos do milagre da hóstia


Cariri
Juazeiro do Norte. A professora e parapsicóloga, Maria do Carmo Pagan Forti, vai proferir palestra sobre os fatos extraordinários de Juazeiro do Norte. O encontro, segundo o secretário de Turismo e Romaria deste município, José Carlos, se dá em virtude de 1º de março, amanhã, marcar os 120 anos da primeira transformação da hóstia em sangue, na boca da beata Maria de Araújo e também o início das peregrinações a Juazeiro do Norte na devoção ao Padre Cícero.A expectativa é de um bom público por ocasião da palestra que está marcada para as 20 horas do dia 6 de março, no auditório do Memorial Padre Cícero, com a participação de estudantes, professores e pesquisadores. Os professores, José Carlos, Daniel Walker e Maria do Carmo, também estarão presentes ao evento.

Mestrado

Maria do Carmo fez um trabalho relacionado à beata Maria de Araújo, fruto de tese de mestrado, defendida na Universidade de São Paulo (USP). Como resultado da pesquisa, foi publicado o livro “E Ela fez o Milagre”, relatando os fatos extraordinários de Juazeiro e toda a trajetória da mulher preta, pobre, costureira, que sofreu preconceitos da própria Igreja em relação ao que vivenciou por mais de 100 vezes. O sangramento das hóstias na boca da beata Maria de Araújo, gerado a partir da oferta do Padre Cícero, tomou grandes proporções para a própria Igreja Católica. Por longos anos não se falava publicamente no nome da beata, a protagonista de um milagre que tomou proporções em todo o Nordeste do Brasil e passou a atrair levas de romeiros para o município de Juazeiro do Norte, no Cariri.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

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