Arquivo para ‘agosto, 2008’
Escrito por Jose do Vale
Outras
31 ago 2008, 19:24
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Golpe de Estado, em resumo, é a tomada do governo fora das regras de sucessão e manutenção do poder. No Brasil os golpes de Estado são conhecidos e suas práticas exaustivamente estudadas pelos historiadores. Normalmente estas rupturas de processo ocorrem sob tensões sociais, quando setores conseguem manipular a opinião pública numa escala em que a manutenção do poder se torna insuportável. Os exemplos mais clássicos foram a instalação da república, a revolução de 30, a deposição de Getúlio em 45 e o Golpe de 64. No entanto tentativas frustradas sempre ocorreram ao longo do século XX sendo a maior frustração aquela em que Getúlio suicida-se para desespero dos golpistas.
Não parece que o país reúna uma situação de tensão social que sustente uma ação golpista. No entanto a prática de levantamento da opinião pública é constante, especialmente através da mídia. Hoje o centro da tensão, no entanto, é política, especialmente a política que envolve a própria noção de Estado “Mostesqueiriano”. O poder executivo ultrapassa os limites do poder legislativo através de medidas provisórias e o poder judiciário, através do STF ultrapassa simultaneamente os poderes legislativo e executivo. Voltou-se à república dos “sábios” dos “doutos” que sob o manto medieval de suas vestimentas, decidem sobre tudo, até sobre o território nacional. Agora sobre algemas, noutro dia sobre aborto e segue a substituição dos poderes.
Os presidentes do STF se tornaram, por isso mesmo, agentes de visibilidade dos poderes econômicos e político. O atual presidente Gilmar Mendes não passa um dia que se apresente como o verdadeiro detentor de todos os poderes. Hoje mesmo diz que chamará o presidente da república “às falas”. Um coloquialismo de esquina que não honra quem pronuncia a frase arrogante e nem a liturgia do cargo. No mesmo dia os principais jornais do eixo Rio-São Paulo, abrem suas manchetes para o fato. Gilmar Mendes atua como correia de transmissão de uma reportagem da revista VEJA.
Correia de transmissão, o motivo deve ser esclarecido. A revista publica na edição de final de semana uma denúncia de ação ilegal de escuta pela ABIN. O Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres teriam sido grampeados. Fonte da notícia não esclarecido, documentação da matéria não apresentada, os órgãos denunciados desmentem a notícia. Então se trata de suspeitas e suspeitas devem ser resguardas para a investigação.
No entanto, é aí que o golpe, na velha prática histórica brasileira se manifesta. Toda a mídia que tem peso estampa e denuncia a ABIN. Gilmar Mendes puxa as orelhas do presidente de um outro poder. Provoca uma situação de confronto. No mesmo dia, o senador Heráclito Fortes, convoca uma tal de Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso. Uma comissão mista que já quer ouvir o Diretor da ABIN Paulo Lacerda e o General Jorge Félix. O presidente do Senado já se manifestou. Nesta semana tem golpe em todos os textos. Claro que haverá a manifestação do contragolpe, isso é sempre necessário nestas questões políticas.
Pelo que se pode vislumbrar, a operação pode ser mais provinciana. Como estão presentes personagens importantes das organizações Daniel Dantas, inclusive a VEJA, é possível que tudo se organize para derrubar Paulo Lacerda e atar os braços da Polícia Federal na investigação SATIAGRAHA. É possível, mas no Brasil golpe é fato recorrente. E de qualquer modo as instituições já estão combalidas, especialmente o Senado e o STF (este por excesso de protagonismo político).
Escrito por Pachelly Jamacaru
Outras
31 ago 2008, 16:57
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Escrito por Dihelson Mendonca
Outras
31 ago 2008, 10:05
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Hoje, abri o BLOG DO CRATO e vi a postagem de uma foto de São Raimundo Nonato padroeiro de minha terra Várzea-Alegre. Este BLOG é de responsabilidade do Dihelson Mendonça que já o definir uma criação abençoada de Deus e detentor de uma extraordinária capacidade na divulgação de nossa região. Talvez seja o maior deles. Aquela imagem pertenceu a Raimundo Duarte Bezerra e sua esposa Tereza Maria de Jesus, portanto a papai Raimundo. Ficava num altar improvisado num quarto da residência onde eram celebradas as solenidades religiosas ha mais de 150 anos. De mão em mão aquela imagem foi passando e por fim a minha avó Josefa Alves de Morais, madrinha Zefa, doou para a Casa de Saúde São Raimundo propriedade do seu neto Dr. Pedro Satiro. Onde andam os fiés Varzealegrenses? A fé do povo em são Raimundo está acabando? Porque não houve um só comentário? Porque a festa não é mais na igreja e sim nas barracas? O fato é que estão desprezando a doutrina cristã e adotando a doutrina político partidário. Quem são os responsáveis por bendizer uns e maldizer outros ou vice-versa? Ouvir dizer, gostaria que não fosse verdade, que ano passado o Governador do estado pernoitou em Várzea-Alegre, foi hospede da casa paroquial e no dia seguinte a salva matinal foi cancelada para não perturbar o sono do governador. Onde se quer chegar? Em 1921 houve os primeiros desentendimentos entre igreja e paroquianos em Várzea-Alegre. O padre Jose Alves de Lima decidiu vender o patrimônio de São Raimundo e a reação dos paroquianos foi imensa surgindo então o primeiro foco de protestantes desta terra. Ninguém tem coragem de contestar as atitudes de alguns pastores, mas fica a advertência: “não vivemos mais na época do faz o que digo e não o que faço.
Antonio Morais
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Escrito por Dihelson Mendonca
Outras
31 ago 2008, 04:09
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Alô amigos,
Com um ano de existência, o ZoomCariri comemora convidando mais e mais fotógrafos e entusiastas pela arte da fotografia a participar do nosso website.
Visite, comente, divulgue. Participe:
www.zoomcariri.com
Pachelly Jamacaru
Dihelson Mendonça
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Escrito por Dihelson Mendonca
Outras
31 ago 2008, 03:54
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Olá, amigos.
Bom Domingo! Recebi essa letra aqui para uma música que seria uma homenagem ao Crato, enviada pelo Carlos Zoffo, onde ele assim escreve:
“O blog e a radio , idéias geniais e autênticas, uma forma única de linkar toda essa cultura contida dentro do vale do cariri…. Estou enviando uma letra de minha composição em homenagem a Cidade do Crato, onde cursei aulas de violão na SCAC com o professor Álvaro e de piano com a professora Diana Pierre, posteriormente com o guitarrista Batista, o meu Pai foi arrendatário do “Aquarius” e promoveu durante um bom tempo varios shows com artistas regionais e renomados, vcs estão de Parabens com essa atitude on-line…um abraço para todos..
Carlos Zoffo”
CRATO
VOCÊ JÁ DECLAROU
AMOR A UMA CIDADE
POR TUDO QUE VIVEU E AMOU!!!
POR TUDO QUE VIVEU E AMOU!!!
ENTÃO ME ESCUTA
COM O CORAÇÃO
QUE É VERDADE
O QUE EU TENHO PRA TE CONTAR
AS LEMBRANÇAS
DAS FESTAS!!!, DO CARNAVAL!!!,
DOS CLUBES!!!, DOS BARES!!!
DA PRAÇA FRANCISCO ZABULON
VOCÊ JÁ OUVIU FALAR
NO PARAÍSO
E VIVER NO PARAÍSO
É DEMAIS
E É COMPARADO A TAL QUAL
PORQUE SE É FELIZ, EU QUERO SER FELIZ, EU POSSO SER FELIZ
EI BABY ME DE A SUA MÃO
VAMOS SAIR PRA CAMINHAR
PELA CHAPADA DO ARARIPE
E NOS BANHAR NAS AGUAS CASCATAS
E SONHAR……
QUE SE É FELIZ
EU POSSO SER FELIZ
EU QUERO SER FELIZ
CRATO….CRATO….CRATO…..
Carlos Zoffo
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Escrito por Dihelson Mendonca
Notícias
30 ago 2008, 01:51
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A via de acesso ao distrito de Arajara, no Crato, continua oferecendo perigo a pedestres e motoristas
Crato. A CE-386, que liga Crato a Barbalha, via Arajara, interrompida no mês de março em conseqüência das fortes chuvas que caíram no Cariri, apresenta buracos, abatimentos de aterro, cortes e quebra de bueiros em cinco pontos. Em alguns trechos, os veículos estão passando pela metade da pista.
A residência regional do Departamento de Edificações e Rodovias (DER), com sede em Crato, informa que “está fazendo o que é possível” para não interromper o trânsito de veículos. No entanto, para resolver o problema é necessário um investimento superior a R$ 500 mil, o que exige licitação.
O gerente regional, Luiz Salviano de Matos, informou que já foi elaborado o projeto para recuperação da estrada. Na próxima semana, será aberta a licitação. A previsão, segundo Salviano, é de que os trabalhos sejam iniciados em outubro, antes, portanto, do início do inverno. Além da recuperação dos aterros e dos buracos, será construída uma ponte na CE-293, que liga o município de Barbalha a Arajara. Nesse trecho também há um intenso fluxo de veículos, o que merece atenção especial por parte das autoridades estaduais.
A rodovia dá acesso ao distrito de Arajara, uma das regiões mais produtivas do Cariri. A localidade abastece de hortifrutigranjeiros os mercados de Crato e Juazeiro do Norte. A estrada dá acesso ao Arajara Park, principal clube social do Cariri que recebe semanalmente sócios e visitantes.
A motorista Ivonete Fernandes Costa, proprietária de uma D-20, que faz linha Crato-Arajara, adverte que, em conseqüência dos buracos, já houve vários acidentes ao longo da estrada. Alguns veículos desceram os aterros. “Felizmente, não ocorreu nenhuma morte”, afirma a moradora.
Todo dia, a motorista faz 12 viagens, entre idas e voltas, em um percurso de 12km, entre Crato e Arajara. Seu sofrimento é evidente, bem como os prejuízos financeiros.
Risco de morte
Outro motorista que também reclama do péssimo estado de conservação da rodovia é Cícero Patrício, que também mantém uma D-20 na linha Crato-Arajara. Patrício diz que a buraqueira, além de ser um risco para motoristas e passageiros, acaba com os veículos. “Todo dia tem carro quebrado na estrada”, lamenta. Cícero adverte que os acidentes só não são mais freqüentes porque os motoristas conhecem a estrada e são prudentes.
O passageiro Zé Mulato, que mora entre Arajara e o Crato, afirma que sair de casa num destes transportes é um risco de morte. “A estrada é estreita e esburacada. A gente chega à rua, no Centro da Cidade, todo quebrado,” afirma o morador.
O comerciante José de Sales Evangelista, conhecido por “Deda”, proprietário de uma bodega na Vila Lobo, não entende o motivo pelo qual o trecho não foi asfaltado.
“Trata-se de uma avenida com cerca de um quilômetro de extensão com casas e estabelecimentos comerciais dos dois lados e que precisa de melhoramento urgente no trecho”, afirma ele. A reclamação é geral entre a população.
FIQUE POR DENTRO
Chuvas danificaram outras vias no Cariri
De um modo geral, as principais rodovias do Cariri estão em boas condições de tráfego. Os trechos mais danificados são ligações interdistritais como a rodovia estadual que liga a sede do município de Missão Velha ao distrito de Jamacaru. A residência do Departamento de Edificações e Rodovias (DER) acaba de fazer uma operação tapa-buraco na estrada Crato-Nova Olinda, que cruza a Chapada do Araripe. O trecho também foi danificado pelas chuvas registradas no primeiro semestre. O mesmo trabalho foi feito na ligação entre Barbalha e Jardim. O gerente regional do DER, engenheiro Luiz Salviano, adverte, no entanto, que a rodovia precisa de um recapeamento total. Para isso, será aberta uma licitação, tendo em vista o reasfaltamento. Sobre a CE-386, vale destacar que a mesma foi construída em 2002, no final do governo de Tasso Jereissati. A primeira reclamação foi pelo fato do asfalto não ter chegado à Avenida Duque de Caxias, no Crato. A pista asfáltica terminou na Vila Lobo, a quase um quilômetro de distância. O restante da via até a sede do Crato, foi construído em pedra tosca. Em conseqüência das chuvas, o calçamento foi destruído em vários trechos, ficando intransitável.
ANTÔNIO VICELMO
Repórter
Mais informações:
Departamento de Edificações e Rodovias (DER)
Rua Rodolfo Teófilo, 10
Município do Crato
(88) 3102.1224
Reportagem de Antonio Vicelmo para o Jornal Diário do Nordeste
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Escrito por Dihelson Mendonca
Crônicas
30 ago 2008, 01:42
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A lenda do Pita
Por que será que todos os que se prestam ao trato com as crônicas vivem revirando as páginas do passado e, de quando em vez, são flagrados em momentos da infância recontando fatos dessa época da existência? Será o mundo adulto assim tão enfadonho e insidioso que somente da infância é que ainda guardamos momentos puros e de real beleza pueril?… Quando leio os mestres dessa arte literária ao rés-do-chão, lá estão as reminiscências de um passado distante, da infância sempre inusitada e pitoresca de cada um: adoro ler a infância drummondiana contada em crônicas; Os Teixeiras de Rubem Braga, então, espetáculo!… e por que não falar da infância do avô de um homem que brinca de ser cronista? Quando criança, lá pelos meus oito ou nove anos, adorava ouvir as histórias contadas pelo meu avô Vicente – hoje com noventa e cinco anos de idade. Eram histórias engraçadas no mais autêntico estilo Viriato Corrêa na obra Cazuza. Ainda hoje, não tive a disposição de perguntar se eram historinhas apenas recontadas por meio de um atavismo anônimo ou obras nascidas da veia poeta de um homem fadado ao anonimato existencial, embora digno de uma notoriedade universal – afinal, é meu avô!
Uma dessas historinhas, apesar de já passados mais de vinte anos desde que a ouvi pela derradeira vez, ainda persiste na minha retina. As imagens criadas quando da última audição da obra solta ao vento por palavras certeiras do meu progenitor ainda mexem, altaneiras, dentro de mim, implorando que as ponha num sólido local, eternizando-as ou repetindo-as de modo furtivo se forem réplicas indevidas de um outrora criador. Apesar do medo, de me consideram um plagiador das palavras, do mundo literário; arriscarei, colocando-as num papel ao meu estilo. Havia num reino mundo distante, além-mar, uma princesa que sonhava casar. Muitos eram os pretendentes, mas aquele que seria o homem digno de desposá-la deveria contar-lhe uma história cujo enigma a bela princesa não soubesse revelar.
Numa casinha, situada à beira de um lago, morava uma família numerosa, era uma prole de onze filhos, todos homens. Um mercador, numa de suas andanças, revelou a todos os moradores do vilarejo onde morava essa feliz família a existência do reino distante e a pretensão da princesa. Os dez irmãos mais velhos foram, um a um, seguindo rumo ao sonho, mas encontraram a morte. O mercador, orientado pela família real, omitia que se o enigma da história fosse descoberto pela bela princesa o contador da história seria guilhotinado para deleite da princesa. E, assim, em cada nova andança, um dos filhos da mãe entristecida seguia rumo ao fim da existência. Findos todos os mais velhos, apenas o caçula ainda permanecia junto à mãe que já conhecia o fim de cada um dos outros dez filhos. Chega-se uma nova embarcação. O filho resolve partir. A mãe, num desespero materno, quer dar-lhe outro destino:
– Se tem que morrer, que morra por minhas mãos! Não suporto mais perder meus filhos sem o direito de sepultá-los!
Prepara-lhe uma alimentação e o orienta:
– Quando sentir fome coma esse alimento. Não faça o mesmo que todos os seus outros irmãos que morreram por má alimentação.
E entrega ao filho uma provisão venenosa que o mataria após a primeira refeição. Chora. Abraça o derradeiro filho e o deixa partir… O menino resolve seguir rumo ao reino por terra. Adorava andar e resolvera criar a história que revelaria à princesa durante o percurso da sua trajetória… Caminha. Caminha. Caminha. Sempre seguido do fiel escudeiro, o cachorrinho de estimação que atendia pelo nome de Pita. Sente fome. Senta-se para comer, mas ao abrir o bornal e segurar a refeição tem o alimento subtraído pelo cachorrinho que salta vorazmente, tomando-lhe o único alimento disponível. O animal, logo após devorar a alimentação, cai desfalecido. O garoto chora e, somente depois, percebe a ação criminosa do amigo que queria apenas salvar-lhe da morte certa. Não tendo coragem de deixá-lo no caminho, resolve levá-lo como a uma caça abatida, preso às costas. E começa a história:
– ‘Pão matou Pita…’
Após horas de caminhada é interpelado por sete caçadores famintos que observam o animal abatido. Obrigam-no a deixá-los com a caça. Ele diz que é o seu cachorro que havia morrido, mas os caçadores ignoram a história. Tomam-lhe o animalzinho. Fazem uma refeição e, após comerem o alimento, caem mortos deixando com o garoto os sete rifles que conduziam. O garoto verifica cada um dos armamentos e escolhe o melhor deles para conduzir no restante da caminhada. E a história prossegue:
– ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor…’
Agora, com munição e armamento, inicia uma caçada a fim de conseguir a alimentação. Observa um pássaro num galho, atirando em seguida na intenção de abatê-lo. Erra o tiro, mas acerta um outro que estava noutro galho, distante da sua linha de visão. E continua:
– ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor. Atirei no que vi e acertei no que não vi…’
Corre. Alcança o pássaro abatido e procura um espeto para cozê-lo. Como não tem faca, resolve espetá-lo numa estaca que obtém ao quebrar uma cruz deixada na floresta, revelando que ali havia um corpo desfalecido e que fora enterrado num ritual comum aos povos civilizados. Faz um fogo. Alimenta-se. E prossegue:
– ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor. Atirei no que vi e acertei no que não vi. Assei carne com pau santo…’
Agora farto do alimento que a sorte colocara em suas mãos, tem sede. A floresta seca não permite que as fontes límpidas de águas brotem naquela região inóspita. A sede o consome. Nenhuma fonte há para saciá-lo. Quando já se dava por vencido, observa um animal distante. Vai ao encontro dele. O animal, suado, emana sinais de cansaço e de sede… Aproxima-se do animal e, numa atitude de subsistência, sorve-lhe o suor que é retirado com os dedos e, dessa forma, sacia a sede já quase insuportável! Passado o asco da superação humana, conclui por fim a história uma vez que o palácio descrito é vislumbrado por ele, embora ainda longínquo:
– ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor. Atirei no que vi e acertei no que não vi. Assei carne com pau santo. Bebi água que não era nem do céu nem da terra…’ Pronto. Essa será a história que contarei a princesa tão logo tenha oportunidade.
Chega ao palácio e revela o desejo de ser um dos pretendentes ao trono. Dias depois, é levado ao encontro da princesa que o interpela, friamente:
– Qual sua história, plebeu!?
– Minha história, princesa, é a seguinte: ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor.
Atirei no que vi e acertei no que não vi. Assei carne com pau santo. Bebi água que não era nem do céu nem da terra. E após isso, estou aqui.’ Do que trata essa história, princesa? A princesa, enrubescida, chamou seus asseclas e os mentores da corte. Nada. Não tinham uma explicação para o enredo. Por fim, sentencia:
– Peço um tempo para responder!
– Até o amanhecer, princesa, intervém o jovem plebeu, decididamente.
– Até o amanhecer, concorda a princesa. Se ao amanhecer não tiver a resposta, casarei com você!
Amanhece. O jovem plebeu é levado à presença da princesa. Ela o observa e, sem pormenores, revela:
– Não fui capaz de descobrir do que trata a história e, conforme o prometido por meu pai, casar-me-ei com você. Antes, porém, preciso conhecer a verdade uma vez que se for uma história inconsistente, morrerá como um vilão mentiroso e torpe!
– Que seja assim, princesa. Essa é a história da minha peregrinação desde que saí de minha casa até chegar aqui.
E prossegue:
– Todos os meus outros dez irmãos desfaleceram na esperança de desposar a mais bela princesa anunciada pelos andarilhos errantes. Eu, último de uma descendência, também vim em busca disso e trazia comigo um cão que morreu após comer o alimento preparado por minha mãe que talvez não me quisesse como mais uma das vítimas. Com a morte do cão, iniciei a história: ‘Pão matou Pita…’ A carne do meu animal serviu de alimento a sete caçadores famintos que morreram ao fim da refeição. Dos rifles que traziam consigo apanhei o que me pareceu o melhor. E a história prosseguiu: ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor.’
A princesa e todo o seu corpo de júri assistiam ao relato silenciosamente. O jovem plebeu, alheio a tudo, prosseguia, agora mais convicto de si:
– Com o rifle, tentei abater um pássaro que observei numa árvore, mas errei o tiro, atingindo um outro que não vi. Disso veio mais um trecho da história: ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor. Atirei no que vi e acertei no que não vi.’ Por fim, após depenar a caçar e de não ter com o que espetá-la, fiz um espeto improvisado com os restos de uma cruz que havia no caminho. Após a alimentação senti sede e fui saciado bebendo o suor de um cavalo que surgiu, não sei como, diante de mim. Após isso, vislumbrei o palácio onde agora estou contando toda e história que se resume no que relatei ontem: ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor. Atirei no que vi e acertei no que não vi. Assei carne com pau santo. Bebi água que não era nem do céu nem da terra.’
Os conselheiros formaram um cerco junto à princesa e sentenciaram:
– Vivas, ao futuro rei!
Será preciso concluir dizendo em tom solene que foram felizes para sempre? Tudo bem. Eles se casaram e foram felizes para sempre.
Fim.
Por: Nijair Pinto

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Escrito por Dihelson Mendonca
Outras
30 ago 2008, 01:39
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Dr. Heládio nos envia hoje fotos de um dos últimos engenhos de Rapadura da Região do Cariri:


Fotos: Heládio Duarte
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Escrito por Jose Flavio
Crônicas
29 ago 2008, 16:26
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TAJ MAHAL
J. Flávio
Um dia o primeiro primata desceu da árvore e viu-se diante de um meio que lhe era totalmente hostil. Sem a força do leão e do elefante, sem a velocidade do leopardo e a visão da águia, ainda hoje é um grande mistério como sobreviveu competindo com animais bem mais hábeis. Terá sido, certamente, a inteligência que o fez sobressair-se diante da destreza de tantos concorrentes e que muitos anos depois o levou a dominar a terra. Desde as cavernas , um espectro o assalta, o inexorável fim que o espreita a cada esquina da vida. Ao homem parece impossível compreender , como após um glorioso ciclo evolutivo, de domínio pleno do planeta, com avanços imensos na Ciência e na Tecnologia, ainda sejamos seres frágeis, quebradiços e mortais. A morte, assim, marcou profundamente todas as nossas civilizações. Os egípcios construíram pirâmides fabulosas, desenvolveram a arte da mumificação na esperança de se preservarem, junto com todos os objetos e servos ( que também eram sacrificados no funeral), para uma outra vida, um clone perfeito desta travessia terrestre. Os Sumérios enterravam seus mortos com todos os objetos da sua vida particular, no sentido de conservarem a sua identidade ad eternum. Os Gregos incineravam os corpos, mas com uma pompa toda especial para os guerreiros, cujas cinzas se guardavam cuidadosamente para a memória dos heróis. Os Hindus praticavam a incineração, no sentido algo inverso, de apagar, definitivamente ,as histórias pessoais, purificando-as de todos os pecados.
As mais diversas religiões desenvolveram preocupações especiais para com a perspectiva horripilante da chegada da mulher de vermelho que representa a morte na mitologia ocidental. Todas convergindo para um ponto: a vida terrena é apenas uma travessia à espera de um outro mundo, em outra dimensão,onde viveríamos em espírito, em energia ou um dia renasceríamos carnalmente. Os índios eram enterrados em posição fetal já prontos para o renascer. A morte , como um grande desorganizador cultural, necessita de rituais que juntem as pessoas, aplaquem o luto dos que ficam , criem uma condição segura para os sentimentos e afetos e ajudem no processo de confecção do significado. Assim, observando estes ritos funéreos, é possível entender profundamente os valores das mais diversas civilizações.
Quando se ergueram as pirâmides , quando os gregos guardaram cuidadosamente as cinzas dos guerreiros incinerados, quando o Príncipe Shah Jahan ergueu o Taj Mahal para sua esposa Mumtaz Mahal, não foi por mero acaso ou só por meras razões religiosas. Estava clara e evidente a sociedade de castas em que viviam. Ora privilegiando os poderosos , ora os guerreiros. Tentavam quebrar, de alguma maneira, a característica amplamente igualitária da morte. Impossível se conceber um fim exatamente igual para todos: reis e plebeus.
Assim é perfeitamente visível o esfacelamento destes ritos tradicionais na nossa Sociedade de Consumo. Nas sociedades mais primitivas e tradicionais prevalecia a acumulação dos homens, uma economia de subsistência com o primado do valor de uso, a riqueza de sinais e símbolos, a preocupação com as relações pessoais, o espírito comunitário, o papel do mito e do tempo repetitivo. Nas Sociedades Ocidentais modernas, predominam a acumulação dos bens, a riqueza em materiais e técnicas, uma economia com o primado do valor de troca, da mais-valia, a exaltação do individualismo, o papel da ciência, da técnica, do tempo explosivo. Longe da força produtiva, os velhos são marginalizados. A morte deixa de ser um processo natural e passa a ser uma mera questão técnica, um acidente de percurso que um dia será resolvido pela Ciência. Escondem-se os moribundos com vergonha, o luto passou a ser uma coisa do passado. A tristeza dos que ficam é proibitiva e sinal de fraqueza. Não há qualquer pedagogia para o enfrentamento do fim, basta ver que a morte é perfeitamente escondida das crianças. O encontro com a mulher de vermelho transformou-se quase numa contravenção.
Nada , pois, mais representativo dos dias em que vivemos que uma notícia estampada nos jornais esta semana. Os americanos inventaram formas mais glamourosas de enfrentar a despedida terrena. Por que ser enterrado, se você pode fazer parte das estrelas, de Recifes de Coral ou de Carvalhos milenares ? Isto mesmo, amigos, a Empresa Space Services, já com distribuidores na Alemanha, Argentina, Austrália, Canadá, EUA, França, Japão, México e Reino Unido, leva suas cinzas num foguete e as joga no espaço sideral. Ou, se você preferir, a companhia Eternal Reefs , enterra suas cinzas em Recifes de coral , no fundo do oceano. A outra novidade são os enterros ditos ecológicos. Segundo alguns ambientalistas, os sepultamentos são muito prejudiciais `a natureza, por isso propõem inumar as pessoas com caixões biodegradáveis e , para os mais exigentes, aos pés de carvalhos seculares. Já existem inúmeros cemitérios ditos “verdes”, nos EUA.
Até concordo com os ambientalistas. Sem nenhum problema utilizar urnas que se decomponham mais facilmente, já que o conteúdo delas é perfeitamente biodegradável. Pode também até parecer que com isto estamos tornando a idéia da extinção mais natural e palatável e menos angustiante.. No fundo, no entanto, creio que apenas estamos incorporando o Príncipe Shah Jahan e tentando reconstruir ,cada um a seu modo, um Taj Mahal particular. Apegados à matéria , parece que deixamos esfacelar toda esperança de transcendência. Preocupados com o fim da viagem, perdemos toda a possibilidade de curtir a travessia. Olhando fixamente para o marco de chegada, vamos perdendo a paisagem única que passa para sempre do outro lado da janela.
Escrito por Jose Flavio
Crônicas
29 ago 2008, 16:03
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- Quem quiser que eu cante o boi
É de me dar quatro vitém,
A depois do boi cantado (bis)
Todos gostam muito bem.
“O Rabicho da Geralda”.
Quem se detiver um pouco no nosso processo de Colonização haverá de entender que o país foi, pouco a pouco ,ocupado na sua região costeira. A expansão em busca do nosso inóspito interior começou a acontecer , um pouco depois, por conta de do maior impulsionador de aventuras e descobertas deste mundo: a ambição. A mineração fez com que um sem número de garimpeiros adentrassem sertão afora, em busca de ouro e pedras preciosas. No dizer inesquecível do nosso grande Bilac, eles sequer percebiam, na sua busca, o verdadeiro tesouro : iam plantando um colar brilhante de pousos e vilarejos e plantando as pérolas de uma civilização futura. Do outro lado, de importância similar no Brasil, e bem superior em todo Nordeste brasileiro, a atividade pecuária , introduzida pelos colonizadores portugueses, expandiu-se interior adentro, tornando-se imprescindível às atividades econômicas da Colônia. Primeiro por conta da possibilidade de servir de transporte como veículo de tração, máxime nos engenhos de cana de açúcar, depois por servir de alimento básico à população e finalmente por ceder o couro , artefato indispensável ao modus vivendi da Colônia. A criação de gado se tornou entre nós a mais importante atividade de fixação do homem no campo. Nossos centros mais antigos de criatório vinham do Nordeste Canavieiro, se estendendo do Médio São Francisco até o Rio Paraíba , nas fronteiras do Piauí e Maranhão. O Boi, então, tão presente entre nós, nas nossas antigas sesmarias, passou a ser um companheiro próximo, quase um irmão do homem interiorano. E ele rapidamente se mitificou entre nós. Este ato, não poderia ser de todo imprevisível, já que o Boi estava fartamente presente na mitologia de vários povos. Animal sagrado no Egito e na Índia; Guardião do Labirinto de Creta; personificação de Zeus; a primeira letra do alfabeto hebraico é representada pelo boi. Nesta complexa e ambivalente simbologia o Boi representa o espírito macho combativo, o poder fertilizante, vezes ligada à sexualidade, vezes à força espiritual.
No Nordeste brasileiro, pois, é inequívoca a presença do boi na nossa Cultura. Nos nossos romances populares mais históricos e tradicionais pululam a sua figura : “O Boi Surubim”, “O Rabicho da Geralda”, “O Boi Espácio”, “O Boi Liso”, “O Boi Misterioso”; “O Boi Mão de Pau” e tantos incontáveis outros. A maior parte dos nossos folguedos populares, também, contam com a presença mitológica do Boi. Um dos mais importantes entremezes do nosso Reizado, é o boi. O Carnaval de Olinda possui vários bois famosos , como o emblemático “Boi da Macuca”. “O Boi-Bumbá” um dos mais portentosos folguedos brasileiros, uma manifestação típica brasileira, presentes em muitos estados do Nordeste, segundo alguns pesquisadores, nasceu no Piauí , coincidentemente um dos Estados brasileiros onde a atividade pecuária foi mais difundida no Século XVII e início do XVIII. Nos estados do Norte do Brasil, como Maranhão, Pará e Amazonas, o “Boi-Bumbá” é, de longe, a festa mais importante. Talvez muito por conta da atividade pecuária e, um outro tanto, pela profunda colonização advinda do Nordeste brasileiro, onde os cearenses, legitimados judeus brasileiros, se tornaram a parcela mais importante desta diáspora.
O ouvinte certamente já deve ter visto pela TV “A Festa do Boi de Parintins”ou “Festival Folclórico de Parintins”, uma verdadeira ópera aberta, que acontece num grande estádio, chamado de “Bumbódromo”, anualmente, em fins de Junho. A pequena cidade de Parintins , à margem do Amazonas, se entope de gente. O estádio mal consegue acomodar os mais de 35.000 expectadores. A TV transmite o espetáculo para todo o mundo. O Festival acontece desde 1965 , nestes moldes , envolvendo no ritual personagens inúmeros : O levantador de toada, o amo do boi, a Sinhazinha da Fazenda, Porta Estandarte, Rainha do Folclore, Cunhã-Poranga e muitos outros, todos envoltos e embalados num figurino lindíssimo e num cenário de encher os olhos. A disputa se faz historicamente entre dois bois : “O Garantido” e o “Caprichoso” e toda a região se divide entre estas duas agremiações, com toda a rivalidade própria das torcidas de futebol.
Pois bem, amigos, aqui vem o mais interessante, “O Boi Caprichoso” , vencedor das últimas duas edições do Festival, foi fundado por cratenses da gema: Raimundo Cid, Pedro Cid e Félix Cid. Os três teriam migrado do município de Crato, passando pelos estados do Maranhão e Pará, até chegarem à ilha de Parintins, em 1913, onde fizeram uma promessa a São João Batista para obterem prosperidade no novo município. Isso foi motivado pelas influências recebidas pelos Cid durante a trajetória até a ilha, quando puderam conhecer vários folguedos juninos por onde passaram. Duas manifestações folclóricas chamaram a atenção: o Bumba-Meu-Boi, maranhense, e a Marujada paraense.
Tudo isto é sintomático da força da cultura caririense, o coração cultural do Ceará. Os irmãos Cid, que não têm parentesco com nosso atual governador, refizeram ,caprichosamente distante, o mito do testamento do Boi :
“ E pra quem vai a língua
Do nosso Boi Cariri
— Manda lá prá Parintins !
Bibiografia
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J. Flávio Vieira